Publicado em: 29/11/2007 - 00h45min
As obras de reforma da capela de Santa Izabel, no Abrigo Dom Pedro II, foram vistoriadas ontem (dia 28) pela secretária de Desenvolvimento Social, Maria das Dores Loiola, que elogiou o trabalho realizado no espaço, um dos palcos da programação da beatificação da Irmã Lindalva Justo de Oliveira, a ser realizada no próximo domingo (dia 2), no estádio Manoel Barradas. "A importância desta intervenção é enorme, porque não se trata apenas da recuperação do patrimônio cultural e artístico, mas da valorização humana, particularmente dos idosos que estão aqui", disse.
De acordo com os responsáveis pela obra, até o dia da beatificação estarão prontos o saguão, onde se localiza o túmulo da freira, e a fachada principal da capela, garantindo a visitação dos fiéis, movimento que deve se seguir à cerimônia religiosa. A recuperação emergencial do santuário- iniciada em outubro, com recursos da ordem de R$ 1,7 milhão, oriundos da Petrobras- está prevista para ser concluída em dezembro.
Durante a vistoria, Maria das Dores conversou com os restauradores, conhecendo detalhes do trabalho, que tem revelado verdadeiras relíquias artísticas, debaixo de camadas de tinta e purpurina, que estão sendo removidas. Folhas de ouro e pinturas do século 19 são alguns exemplos.
"É um gesto de sensibilidade muito grande da Petrobras viabilizar a recuperação deste patrimônio", disse, lembrando que a Sedes também encaminhou ao Ministério da Cultura (MinC) projeto para reforma das outras unidades do abrigo, orçada em R$ 10 milhões. Para tanto, já foi enviado ao MinC um relatório da Fundação Gregório de Matos, classificando o abrigo como espaço para atividades culturais. Quando totalmente reformado, o abrigo poderá se tornar auto-sustentável, através de recursos oriundos de aluguel do espaço para eventos.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional (Iphan), que autorizou e tem acompanhado as obras de reforma, o prédio da capela data do século 19. Estão sendo recuperados o telhado, atacado por cupins, e as calhas, além de estar sendo providenciado o escoramento de algumas áreas, interditadas pela Defesa Civil. As obras estão a cargo da construtora MRM, vencedora da licitação lançada pela organização social de interesse público, Gerar, ligada à Arquidiocese de Salvador.
Também estão sendo restaurados onze vasos em mármore Carrara e outras 14 estatuetas, sendo 11 deste material e três esculpidas em pedra de Lioz, muito valorizada artisticamente. Outra intervenção importante está sendo feita no gradil frontal da capela, que terá sua cor original preservada e protegida com ácido fosfórico, substância anticorrosiva.
O Abrigo D. Pedro II existe há 120 anos e é o porto seguro para 120 idosos que vivem no prédio, de estilo neoclássico, construído no início do século XIX. Réplica do Palácio de Versailles, o imóvel abriga peças de mobiliários Luís XV, pinturas a óleo, peças em porcelana do Porto e estátuas em mármore de Carrara. O abrigo foi bastante deteriorado pelo tempo, pela ação de vândalos e pela pesca com bomba nas suas proximidades.