Publicado em: 27/11/2007 - 13h55min
O consumidor deve pagar as menores taxas de juros e ter maiores prazos de crédito nas compras de Natal. Segundo a nota de Política Monetária e de Operações de Crédito, divulgada hoje (27) pelo Banco Central, a maioria das taxas de juros para crédito pessoal estão no menor nível da série história, iniciada em 1994.
“Do ponto de vista de taxas, as condições são as melhores dos últimos anos e com prazos mais dilatados”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele lembrou que redução das taxas está vinculada à diminuição do spread (diferença entre o que o banco paga ao investidor e o que cobra nos financiamentos).
“Nesse ambiente de crescimento de volume, temos a continuidade de redução das taxas. As taxas continuam caindo por redução no spread”.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, apenas o cheque especial, com taxa de juros de 139,1% ao ano, em outubro deste ano, e o crédito de aquisição de bens, como eletrodomésticos, 54,7%, ainda não atingiram o piso da série histórica do Banco Central. A menor taxa para o cheque especial foi registrada em dezembro de 1999, quando chegou a 138,8% ao ano e o crédito para a aquisição de bens teve a menor taxa em agosto de 2005, 53,7%, ao ano.
Em outubro, o volume de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 880,803 bilhões, o que equivale a 34% do total dos bens e serviços produzidos no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Essa relação é a maior desde de junho de 1995, quando a relação chegou a 34,7% do PIB. “É um número considerado bastante alto para a economia brasileira”, disse Altamir.
"O crédito vem mantendo taxas de crescimento bastante altas, liderado em um primeiro momento por crédito à pessoa física. Mais recentemente, você tem um crescimento vinculado à sazonalidade [características peculiares a determinadas épocas do ano, como festas, fim de ano etc] do período que é mais direcionado à pessoa jurídica. Isso é vinculado ao aumento nas transações mercantis de final de ano”.
A taxa de juros para a pessoa física caiu 0,5% em relação a setembro e ficou em 45,8% ao ano. As empresas pagaram taxa de 23,4% ao ano, um aumento de 0,3%. O spread subiu 0,1 ponto percentual para as empresas, de setembro para outubro, ficando em 12,7 pontos, e caiu 0,5 para as pessoas físicas, chegando a 34,5 pontos.
Para Altamir, a tendência é de que a redução dos juros seja mantida, assim como o alongamento de prazos. De acordo com dados preliminares de novembro até o dia 9, divulgados por Altamir, o volume de crédito já cresceu 2,5% no mês, sendo que para as empresas o crescimento foi de 3,1% e para pessoas físicas, 1,9%.
As taxas de juros para as empresas caíram 0,2%, chegando a 23,6% e para pessoa física, 0,5%, ficando em 45,3%. O spread caiu 0,1 ponto e ficou em 12,6 pontos para pessoa jurídica, enquanto para pessoa física a queda foi de 0,7 pontos, chegando a 33,8 pontos.
“Aquela impressão que a gente tinha está se confirmando. A impressão de que, a despeito da parada dos juros, teria margem para redução de taxas via redução de spread”.
Mesmo com a parada na trajetória de redução da taxa básica de juros - atualmente a Selic está em 11,25% ao ano - a expectativa de Altamir Lopes é que para o início de 2008 as instituições financeiras continuem a reduzir o spread, o que tornará as taxas ao consumidor mais baixas.
“Para início de 2008, a expectativa ainda é a mesma. Tem espaço para compressão dos spreads, que podem ainda dar alguma contribuição na redução da taxa final”. A projeção de analistas de mercado é que a Selic só volte a cair em 2008.
Altamir atribuiu a redução dos spreads à concorrência entre as instituições financeiras, uma vez que os consumidores podem transferir o financiamento de um credor para outro, com as mesmas condições (portabilidade).
“O desenrolar de 2008 depende de outras condições. Mas com esse nível de atividade é de se esperar que o crédito continue vindo forte, crescendo a taxas superiores a 20%”, acrescentou Altamir Lopes.
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