Publicado em: 22/11/2007 - 18h46min
José Fernandes, 29 anos, e Ademar Reis Carvalho, 26, começaram a trabalhar na cultura do sisal quando eram crianças. Como a maioria dos trabalhadores do sisal, a família deles também se dedica à atividade. Outra realidade comum são as precárias condições de trabalho que, muitas vezes, resultam em acidentes.
Fernandes teve a mão direita mutilada aos 19 anos de idade e foi aposentado por invalidez. Ademar Carvalho sofreu o acidente em março deste ano e tenta se aposentar. Os trabalhadores do sisal se defrontam ainda com a insignificante remuneração pela prestação do serviço. “O trabalhador ganha cerca de R$ 40 por semana”, testemunha Fernandes.
Para discutir a melhoria das condições de trabalho e a possibilidade de inovações que resultem em sustentabilidade e melhor qualidade de vida para esses trabalhadores, a Secretaria do Trabalho, Emprego, Rende e Esporte (Setre), através da Coordenação de Relações Trabalho e Documentação (Cortrad), começou hoje (22) e continua amanhã, o seminário Segurança e Saúde: Melhoria das Condições de Trabalho no Sisal.
Realizado no município de Retirolândia, a 240 quilômetros de Salvador, o evento reúne 120 participantes, entre trabalhadores rurais, pequenos produtores, lideranças comunitárias e representantes de entidades. No painel Papel das Instituições na Região Sisaleira, o coordenador Cortrad, Anivaldo Santos, fez uma breve apresentação da estrutura da Setre e do conceito de Trabalho Decente.
Debates
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Retirolândia, Noé Silvestre, os principais assuntos dos debates desses dois dias são o valor do sisal, o direito do trabalhador do sisal e as condições de trabalho. “Infelizmente, os trabalhadores do sisal atuam informalmente e são mal remunerados”, constata Silvestre.
Em 2006, a exportação brasileira de fibra e produtos manufaturados somou cerca de 28,7 mil toneladas, que movimentaram mais de U$ 25 milhões. Os dados foram apresentados pelo gestor de projetos do Sebrae, José Raimundo Carneiro. A Bahia produz 95% de todo sisal produzido no Brasil, mas o trabalhador fica com a menor fatia desse bolo, apenas 10% do que é arrecadado”, pontua Carneiro.
As precárias condições de trabalho na área do sisal foram apresentadas pela auditora fiscal da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/Ba), Graça Porto. Através de fotos, ela ilustrou as condições subumanas dos alojamentos, o material de proteção feito pelos próprios trabalhadores e a exposição ao sol, que pode acarretar câncer de pele. “Outro problema são as extensas jornadas de trabalho, uma vez que eles ganham por produção”, disse Graça.
A Setre realiza até sábado (24), também no município de Retirolândia, a emissão de Carteira de Identidade e da Carteira de Trabalho e Previdência Social. Segundo o coordenador da Cortrad, Anivaldo Santos, a previsão é que sejam emitidas até sábado 400 Carteiras de Identidade e 150 de Trabalho. A equipe da Cortrad, integrada por quatro técnicos, desde o último sábado (dia 17) trabalha para atender a demanda no município na emissão desses documentos.
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