Publicado em: 19/11/2007 - 16h49min
José Candido dos Santos tem 104 anos e é descendente dos índios Xocó
As esculturas talhadas em madeira de José Candido dos Santos, o Zé do Chalé, poderão ser apreciadas pelo público no período de 22 de novembro a 6 de janeiro de 2008, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - Museu do Folclore -, no Rio de Janeiro. A exposição Zé do Chalé: o dono da flecha exibirá peças confeccionadas pelo artista, de 104 anos, descendente dos índios Xocó, e estarão à venda.
As madeiras que ele utiliza para esculpir suas peças vão da maçaranduba, cedro, eucalipto, umburana-de-cheiro, pinho, mulungu até a jaqueira, dentre outras. Uma das características mais marcantes das esculturas são as formas cilíndricas com interior vazado, que o artista denomina de ‘troféus’ e o teor religioso - muitas delas são coroadas por superfícies pontudas, por cruzes e uma série de outros símbolos religiosos.
A mostra será inaugurada no dia 22 de novembro, às 17h, na Sala do Artista Popular do CNFCP, que fica na Rua do Catete, nº 179 - Rio de Janeiro. Informações: (21) 2285-0441 – ramais 204, 205 e 206.
José Candido dos Santos
Descendente dos índios Xocó, Zé do Chalé nasceu em 1903, no povoado de Saúde, município de Neópolis (Sergipe). Na sua juventude trabalhou na construção das barcas que levavam carrancas na proa. Durante muitos anos atuou como mestre-de-obras. A familiaridade com as construções deram origem ao seu apelido, já que recria essas em suas peças, essas obras, com enorme inventividade.
As suas esculturas em madeira assemelham-se a edificações, com formas geométricas eretas que às vezes chegam à pura abstração. Transfiguradas, as construções reais com que conviveu por toda a vida se tornam edificações com grande poder evocativo e às quais ele designa como ‘troféus’.
A figura humana, quando representada, suas raízes indígenas afloram de maneira clara: são índios hieráticos, vestidos apenas de uma tanga de penas, mas levando à cabeça, mesmo assim, um chapéu de tipo ocidental e moderno, muito semelhante ao que o próprio artista usou.
Outros elementos, como pássaros, folhas de plantas, meia-lua, estrela, cruz, também podem ser encontrados em sua obra, utilizados de forma econômica com sentido simbólico, geralmente coroando suas peças. Na obra do artista se fundem resquícios da memória ancestral de suas origens à experiência da modernidade urbana que marcou sua vida.
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