Psicólogo Vinícius Farani fala sobre relacionamento pós moderno

Publicado em: 19/11/2007 - 14h59min




Vinícius Farani é psicólogo, mestrando em família na sociedade contemporânea com o tema “a construção do vínculo conjugal na contemporaneidade: entre a autonomia individual e a busca pelo outro”. Especialista em psicologia analítica pela Associação paulista de Psicologia Junguiana (APPJ), e membro diretor da Associação Baiana de Estudos Junguianos (ABEJ), ele aborda o tema das relações contemporâneas, a fim de que compreendamos os entraves de uma relação nos dias atuais. 

1. Como os laços humanos podem ser fortalecidos diante da própria fragilidade?

Autores contemporâneos como Bauman, Lypovetsky, entre outros, têm abordado a contemporaneidade como um momento ao qual as relações encontram-se fragilizadas. Alguns indícios apontados seriam a constante valorização do individualismo, o homem e a facilidade na realização dos desejos de maneira rápida e fácil.
A partir do momento em que o foco da relação torna apenas o desejo pessoal, o vínculo se fragiliza, pois em uma relação é necessário a compreensão e o estar com o outro. Podemos dizer então que mudamos de um “até que a morte nos separe” para “que seja eterno enquanto dure”.
O que de interessante podemos encontrar nos tempos atuais, é que as relações, principalmente no casamento, não mais precisam ocorrer por vínculos familiares, ou ser tido como uma exigência social, hoje a idéia da união por amor está em voga. As relações passam a buscar cada vez mais o bem estar, a transformação e a re-invenção da relação. Entretanto, é importante compreender que uma relação não pode ser constituída apenas por amor, visto a fluidez dos sentimentos humanos, mas deve ser enriquecido com apoio, diálogo, perspectiva de crescimento.

2.  Como lidar com a constante transformação do outro?

Seria uma ilusão e uma ingenuidade imaginar que o parceiro com qual você começou uma relação a 2, 5, 15 anos atrás será o mesmo de hoje. O ser humano é passível de transformações e elas acontecem ao longo dos tempos, no decorrer da história de vida de cada um. Inclusive, é graças a esta característica do homem que podemos buscar novos caminhos de crescimento, de maior conscientização de si, do outro e do mundo.
É importante que um esteja sempre atento ao outro, o diálogo é sempre o melhor caminho. As transformações sempre acontecem por algum motivo, cabem aos pares da relação ficar atentos aos sinais que indicam uma transformação, e irem aprendendo com o tempo as mudanças de ambos. O que acontece é que muita das vezes as pessoas não prestam a atenção devida ao seu par, e quando percebem, as coisas já estão bastante diferentes e não sabem mais lidar com a situação. Transformação é necessária, e os conflitos existentes nestes momentos é que podem ajudar o vínculo a se fortalecer ou enfraquecer, vai depender de como o casal lide com tal situação.

3.  Quais os requisitos básicos para que se tenha harmonia em uma relação?

Uma relação não é harmoniosa, ela se fortalece nos conflitos, nos embates da vida diária. É assim que podemos conhecer mais sobre o outro e sobre nós mesmos. Se a relação fosse apenas harmonia não haveria crescimento.
Entretanto, respeito e diálogo são peças fundamentais para uma relação. Brigas, discussões sempre acontecem, mas se elas tiverem como foco um crescimento pessoal e mutuo, e a busca pelo fortalecimento da união, o casal dará passos importantes na construção de um vínculo mais sadio.

4.  Como o ser contemporâneo lida com a solidão?

A solidão tem sido bastante sacrificada na cultura pós-moderna. A solidão faz parte do ser humano e se manifesta ao longo da vida. Grandes artistas e cientistas mundial tiveram vidas isoladas.
Em alguns momentos é comum a pessoa desejar e vivenciar a solidão. Nós não somos sempre alegres, felizes e comunicativos como gostaríamos, temos o direito a quietude, ficar tranqüilos e até de sofrer também. Mas o importante é perceber a causa desta solidão, e se ela não está vindo para esconder alguma ferida ainda aberta.
 Algumas pessoas escolhem a solidão como uma fuga do mundo cotidiano. Se o dia a dia torna-se uma experiência dolorosa, a criação de um mundo particular, solitário, torna-se o caminho aparentemente mais fácil. Mas ela pode guardar uma dor que corroi dia após dia.

5.  Existe hoje em dia uma busca constante pelo parceiro ideal. Com a psicologia vê esse fenômeno?
 
Sites, programas televisivos, orkut, salas de bate-papo, são diversos os locais que vendem a idéia de que no próximo clique a pessoa irá encontrar o parceiro ideal. O que se vendem é imagem, o “e foram felizes para sempre”, entretanto, a vida real é um pouco mais que isso. O parceiro ideal é a fantasia de um mundo que valoriza excessivamente o “eu”, o indivíduo, que sonha em encontrar aquele que realizará todos os desejos e sonhos.
É necessário que se compreenda que cada ser humano possui ideais, pensamentos e pontos de vista particular sobre o mundo, portanto, tem que se compreender que a fantasia do parceiro ideal pode até ser um motivador para encontrar uma paixão, um par romântico, mas que ao longo do tempo esta fantasia irá cair, deixando espaço para a construção da relação a dois.
Se a relação permanecer apenas no ideal, ela não irá muito longe, ou, algum dos pares terá que se sacrificar em prol do outro.
Relação é enfrentamento, conhecimento, crescimento, por isso é necessário que se veja o outro não como ideal, ou fantasia, mas como um ser humano pleno com direitos e pensamentos particulares.

O psicólogo Vinicius (CRP 03/04352) atende – psicoterapia individual e em grupo.
Entre em contato com ele através – (71) 8817-5810; vinicius_fdc@hotmail.com

Emiriene Costa

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psicólogo, Salvador, Vinícius Farani

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