Novos casos de doença misteriosa são detectados em Angola

Publicado em: 18/11/2007 - 10h32min

Duas novas vítimas da misteriosa doença que já atingiu 365 pessoas em Cacuaco, na região de Luana, surgiram em áreas próximas, disse à imprensa angolana o diretor de Saúde da Província de Luanda, Vita Vemba.

O representante local disse que surgiu um novo caso em Kikolo, próximo a Cacuaco, e outro na província do Bengo, a 60 quilômetros da localidade onde foi identificada a doença conhecida como "mole-mole".

O apelido surgiu porque os atingidos "ficam moles, muito moles", como explicou uma moradora do Bairro Novo, em Cacuaco, nos arredores de Luanda.

Segundo fonte médica angolana contatada pela Agência Lusa, é possível que se tratem de pessoas que viajaram a partir do foco original para outras localidades fora da área de Cacuaco.

A doença foi detectada no Bairro Novo em 15 de outubro, quando o técnico médico de saúde Abílio Augusto viu morrer uma criança nos seus braços. "A criança chegou com dificuldades em andar e falar e apresentava sonolência", afirmou à Lusa.

Os sintomas mais tarde seriam apontados para definir a doença, que já atingiu pelo menos 365 pessoas, segundo números das autoridades angolanas de saúde. Não foi ainda demonstrada a relação de causa e efeito entre a sintomatologia e as mortes.

Peritos da Organização Mundial de Saúde para as áreas de toxicologia clínica, epidemiologia e saúde ambiental estão em Luanda para desvendar o mistério sobre a origem do "mole mole", mas ainda não divulgaram nenhum parecer.

Ocorrências

De acordo com um enfermeiro do centro de saúde de Cacuaco, os pacientes que têm recebido tratamento sintomático se recuperaram "em alguns casos num dia, noutros uma semana ou mais". Não há lactentes ou grávidas entre os afetados e acredita-se que o mal "não tem transmissão atmosférica", sendo o contato físico o principal meio de contágio.

O "mole-mole" aparenta ter picos na intensidade. Neste momento, o hospital de Cacuaco apresenta uma diminuição do número de novos casos, depois de um período de alta, que ocorreu nas últimas duas semanas de outubro e início de novembro.

São normais situações em que vários membros de uma mesma família são atingidos pelo "mole-mole" em tempos diferentes, por vezes com mais de uma semana de intervalo, havendo também casos de reincidências.

O "mole-mole", segundo fonte médica contatada pela Lusa, apenas tem poupado lactentes e grávidas. Nas 365 vítimas registradas até sexta-feira estão desde crianças até idosos.

Amostras clínicas de pacientes atingidos pela enfermidade foram remetidas de Luanda para laboratórios europeus e americanos. Enquanto não são divulgados os resultados das amostras, em Cacuaco, nas imediações do epicentro da doença, a vida corre normal e devagar, porque, dizem os habitantes, "o problema é só lá para o Bairro Novo".

Mas há milhares de pessoas, entre as mais de 200 mil que habitam a região, onde predominam atividades agro-industrial e da pesca, indo diariamente para o centro de Luanda, sempre com quatro horas de trânsito na ida e na volta, para fazerem apenas 40 quilômetros nas duas viagens

Enquanto não é possível determinar a origem da doença, as autoridades sanitárias angolanas tentam prevenir que ela se alastre e aconselham a população a reforçar as medidas de higiene individual, coletiva e alimentar, além de se deslocarem centro clínico assim que sentirem primeiros sintomas.

Agência Lusa

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Angola, doença misteriosa

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