Tanque Novo é um município brasileiro, do estado da Bahia. Sua população estimada em 2004 era de 16.463 habitantes, localizada na Região da Chapada Diamantina, município emancipado no dia 25 de Fevereiro de 1985. Tem como importante festejo o São João. Comemorado no final do mês de junho de cada ano, esta festa reúne o que há de mais característico do nordeste brasileiro, como o forró, comidas típicas, dança. O município recebe visitantes de outras cidades e estados a fim de prestigiar os festejos.
A história da cidade está mesclada ao ciclo do ouro na região da Chapada Diamantina. A descoberta do ouro, nos últimos anos do século XVII, no interior do país, inaugurou um novo ciclo econômico no Brasil e foi fator decisivo na ocupação de seu interior. Da Cordilheira do Espinhaço, que corre paralela ao Atlântico, do centro de Minas Gerais até o Norte da Bahia, brotava a riqueza mineral do país. A colonização da região teve início no final do século XVII, quando escravos foragidos se instalaram na margem direita do Rio de Contas Pequeno, atual Rio Brumado. Em pouco tempo, formou-se o povoado denominado "Pouso dos Creoulos" (localizado no sul da Chapada Diamantina e dentro do Polígono das Secas), ponto de pouso para viajantes de Goiás e do norte de Minas que se dirigiam a Salvador, capital da Província da Bahia. Na segunda década do século XVIII, o Bandeirante Sebastião Pinheiro da Fonseca Raposo descobriu ouro no local, iniciando um ciclo que marcou a história da região. Era intenso o fluxo de pessoas que viam a opotunidade de trabalho eem exploração do outro.
Com o passar dos anos, algumas vilas se tornaram independentes, como a Vila Nova do Príncipe e Santana de Caetité (1810), atual Caetité; Santa Isabel do Paraguaçu (1847), hoje Mucugê; Bom Jesus do Rio de Contas (1878), atual Piatã; e Água Quente (1878) (22). Estes, por seu turno, se desmembraram em outros. No final do século XIX, no termo da Vila de Minas do Rio de Contas já haviam surgido vinte e nove municípios. No presente século este número sobe para oitenta e um. Resumindo, onde, em 1724, havia apenas dois municípios, existem atualmente 122.
Especula-se que, tal como Tanque Novo, diversas pequenas cidades que não estiveram diretamente envolvidas com a exploração do ouro na região, surgiram e se desenvolveram a partir de povoados e fazendas que serviam de ponto de apoio a viajantes.
Bento Carneiro
Naquela época o dito viajante com o nome de Bento Carneiro, passava por aqui como explorador solitário. Acabou conhecendo uma jovem de pele amorenada que era neta de “Selvagens Tapuias”, como dizia o pessoal daquela época. “A mãe da garota foi pega no mato, ainda jovem, com cachorros. Caçada como se fosse bicho do mato” – dizia Prudenciano Carneiro – 1917 - 2002 – por exlusão de idades deduz-se que o fato aconteceu por volta da virada do século XVIII para o XIX). Bento Carneiro então se alojou nesta região e casou-se com a garota - que niguém vivo sabe o nome. Fazia pequenas viagens, mas sempre retornava. Teve um único filho a quem deu o nome de JOSÉ JOAQUIM CARNEIRO. Católico, assim como as famílias daquela região, resolveu fazer o batismo do recém-nascido. Bento Carneiro foi então a Sincorá (Brumado) para comprar vinho para a festa do batizado. Nesta viagem, que fez de jumento, ele demorou mais que as costumeiras e, tendo uma missa nas proximidades de Noruega, celebrada por um padre vindo da Freguesia do Arraial (Paramirim), a família então resolveu batizar o garoto, já que era raro acontecer missas pela região. Quando Bento Carneiro retornava com a carga de dois barris de vinho, soube da notícia a quilômetros de casa. Enfurecido, quebrou os barris. “O vinho correu como um riacho de sangue”. - dizia Prudenciano Carneiro (1917 – 2002). E Bento Carneiro se prontificou a matar a esposa e o filho e quem os tivesse ajudado a fazer o tal batismo. Os avós do garoto, já desconfiados do porvir, esconderam-no juntamente com a sua mãe na casa de parentes. Quando Bento Carneiro chegou, muito violento, procurou-os por vários dias, não os encontrando. Ele então seguiu para Minas Gerais e nunca mais se teve notícias. Só se sabe que no norte de Minas Gerais tem algumas famílias com sobrenome Carneiro, provavelmente originadas dele. Depois de passada toda confusão a vida da família de José Joaquim Carneiro voltou ao normal e ali ele pode crescer nas tarefas e costumes locais. Nessa mesma região (entre Noruega e São José) havia um casal que teve onze filhas. São as ditas “onze irimãs” que os mais velhos comentavam. Segundo eles uma era estéril, outra não se casou e as outras nove foram as responsáveis pela proliferação de diversas e quase todas raízes familiares de nossa região. José Joaquim Carneiro acabou se casando com uma dessas irmãs, a qual se chamava Clemência Alves. Desse casamento nasceram doze filhos: Prudenciano, Juvêncio, Antônio, Francisco, Maria, Constância, Custódia, Antonina, Ursulina, Ana Joaquina, Antônia e Carlota, todos com o sobrenome Alves Carneiro. Desses doze filhos, Antônio morreu muito jovem, Francisco foi embora para Mundo Novo (Canarana) e os outros ficaram com os pais. “Aquela família sofreu muito. Viviam como errantes. Dormiam em ranchos por meses. Ralavam mandioca no lajedo para comer a crueira.” - dizia Prudenciano Carneiro (1917 – 2002). Mesmo com todo sofrimento, cresceram e foram se casando. Prudenciano se casou com Ursulina Marques, filha de um tal Chico Marques e Juvêncio se casou com Arlinda Gomes. Esses dois irmãos se alojaram em um terreno de mais ou menos nove quilômetros de extensão por quatro de largura, que ia da Lagoa Grande até as proximidades de Pé do Morro. Esse fato se ocorreu em 1882. No lugar onde hoje (2004) é a casa de D. Judite de Sr. Jetro+, Prudenciano construiu um rancho de varas e barro onde moraria até o fim de sua vida. E onde hoje fica o Alecrim, foi Juvêncio quem constuiu um rancho similar. Em 1883 a dona do terreno, Eduarda Antônia da Silva, soube da invasão e deu um ultimato: ou comprariam o terreno ou sairiam dele. Prudenciano e Juvêncio então compraram o terreno pelo valor de trezentos e sessenta e dois mil e setecentos e cinqüenta e quatro réis e incluíram algumas benfeitorias feitas por eles mesmos, mas que a dona acabou cobrando por fora por um valor de duzentos e trinta e cinco mil e setecentos e quatorze réis, que foram divididos em várias prestações as quais os dois irmãos acabaram honrando. Após comprada a fazenda, eles permaneceram cada qual onde já tinham se situado. Em 1904 Prudenciano construiu uma casa no lugar do antigo rancho. Ficou conhecida como a primeira casa da atual cidade de Tanque Novo. Prudenciano doou alguns lotes a parentes, vendeu alguns outros e, em 1909, já havia algumas casas próximas umas das outras formando um vilarejo. Daí resolveram fazer uma capela, pois na casa de Prudenciano havia uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, onde os vizinhos faziam culto regularmente. A capela ficou denominada Capela de Nossa Senhora da Conceição e Coração de Jesus. Até 1920 não havia cemitério em Tanque Novo, sendo os corpos enterrados no próprio pátio da capela. Esta foi ampliada décadas depois. Com isso os corpos ficaram do lado de dentro da capela. Hoje esses corpos estão no fundo da Igreja Matriz. O primeiro nome de Tanque Novo era Fazenda Furados. Nome originado por causa de um vasto campo de relva baixa que cobria uma grande vereda com árvores dos dois lados. Deu-se então o nome Furados como se fosse um buraco feito na mata por algum fenômeno da natureza, como o vento ou uma grande enchente (isso só na ficção, é claro). O fato de se conhecer hoje o nome antigo como “Surado” ao invés de “Furado” não é completamente sabido. Talvez seja pelo uso habitual de as pessoas falarem rapidamente, como por exemplo: “Vou pros Furados”. Há um certo desconforto em se falar o “S” e o “F” juntos se for pronunciado de maneira rápida, então com o costume foi sendo excluído o “F”: “pros Furados, prosfurado, prossurado, pro Surado. Dessa forma em apenas duas décadas ou menos a palavra original “Furados” poderia ter se transformado em “Surado”. Essa é uma hipótese apenas. O nome Tanque Novo veio, como o próprio nome já diz, com a abertura de um “novo tanque”, sob comando do Capitão Joãozinho, próximo a um já antigo, no ano de 1935. Resumo de um grande relato feito por Prudenciano Alves Carneiro+, Celcina Carneiro, Raquel Pereira Carneiro, José Batista Silva e Jovino Alves de Oliveira.