Guajeru é um município brasileiro do estado da Bahia, distante cerca de 657 quilômetros da capital. Sua população estimada em 2006 era de 15.973 habitantes.
Tem a sua origem no Povoado de Santa Rosa do Panasco, criado como distrito de Santa Rosa do município de Condeúba no final do século XIX pela Lei municipal nº 4 de 19 de fevereiro de 1893. O município de Guajeru passou a figurar no cenário político em 1911 quando então o Povoado de Santa Rosa do Panasco passou a fazer parte da Divisão Administrativa do Município de Condeúba, como um de seus vários distritos da época. Sua história confunde-se com a deste município, explorado, no início do século XVIII, pelos portugueses em busca de riquezas minerais. A criação do Município de Guajeru foi decretada pela Lei Estadual Nº 4.402 de 25 de Fevereiro de 1985 assinada pelo Governador do estado da Bahia João Durval Carneiro.
O nome Guajeru é de origem indígena Tupi-guarani, língua falada pelos primitivos habitantes do litoral brasileiro. Segundo o estudioso Antonio Houaiss, provém do vocábulo ÏWAYU’RU, denominação dada pelos indígenas às plantas de até 10 metros (mato baixo). O termo Guajeru também é comumente utilizado para designar plantas da família das rosáceas (Chrysobalanus icaco). Pequenas árvores de regiões tropicais da América e da África com flores em racemos e pequenos frutos comestíveis. O topônimo Guajeru foi adotado em 5 de Fevereiro de 1944, por ocasião da reforma toponímica nacional, em substituição a Santa Rosa do Panasco, o antigo nome do distrito que pertencia ao município de Condeúba.
O município de Guajeru teve suas origens históricas no início do século XIX, tudo indica que nessa época houve a exploração do sertão da região sudoeste do estado da Bahia. Fazendeiros penetram no sertão e servindo-se de trabalho escravo, formaram povoados e vilarejos. Alguns desses povoados prosperaram–se, mas a maioria acabou em pouco tempo. A seca fez do sertão um lugar difícil de se morar, os sertanejos acabaram se tornando nômades. É bem provável que na região onde se situa a cidade de Guajeru, um grupo de famílias resolveram fixar moradia no local que hoje é chamada “Rua Velha”, como o próprio nome justifica, esse é o lugar onde foram edificadas as primeiras habitações da cidade atual.
A vida dos primeiros habitantes
Durante muitos anos, várias famílias viveram neste lugar, trabalhavam na agricultura e na criação de animais, principalmente de gado, galinha e cabra. Relacionavam-se com os povoados vizinhos e viviam com costumes sertanejos, herdados dos índios. Nos povoados vizinhos, que hoje é a zona rural do município, a maneira de viver era a mesma, mas ambos enfrentaram um grande problema: A seca. Essa rotina pode ter durado muito tempo, e em porções menores e resistentes até hoje, é verdade que o progresso e a maneira de viver do povo tenha mudado muito, mas mesmo assim, temos que admitir que ainda conservamos muitos costumes desses nossos antepassados.
A mudança do povoado
O povoado no lugar onde hoje é conhecido por “Rua Velha”, deve ter durado cerca de 100 anos, mas na época das chuvas esse lugar ficava inundado as casas caíam e era preciso reconstruí-las novamente, assim as pessoas que moravam nesse povoado naquela época resolveram mudar suas casas para um lugar mais alto, bem próximo de onde moravam. Essa mudança deve ter ocorrido por volta de 1920. A mudança foi muito demorada porque o chefe do povoado, Eugênio Bispo de Souza era contra, falava que só mudaria se levasse a sua casa, pois ele não queria construir outra. Quando ele mudou para Condeúba, Jesuíno Pereira de Souza convidou o povo para mudar, o povo aceitou e a mudança foi feita. Em pouco tempo essas casas foram construídas ao redor da Igreja, que foi erguida quando o povoado era ainda "Rua Velha". Eram duas ruas de casas que formavam o povoado de Santa Rosa do Panasco, nome dado pelos moradores à cidade em homenagem a padroeira. O nome Panasco figurou na denominação porque na região havia uma espécie de capim conhecido por Panasco.
História da imagem de Santa Rosa
Desde o início da urbanização de Santa Rosa do Panasco (atual cidade de Guajeru) já existia em prática a doutrina católica. Herdada dos antepassados, mas nessa época não existiam locais definidos para celebrar as missas, pois não havia sido construída a Igreja. Por esse motivo as eventuais missas eram celebradas na então fazenda Posse, nas residências dos senhores Ângelo Custódia de Andrade e Francisco Manoel Novais.
As missas eram escassas pelo fato de na época haver muitas dificuldades, como transporte e comunicação e muitos outros justificados. Essas causas levavam o vigário a só celebrar missas de seis em seis meses ou de não em ano. O reverendíssimo Belarmino Silvestre Torres foi o primeiro padre a trabalhar no pequeno povoado.
Na época que era paróquia de Santo Antônio da Barra (atual Condeúba), ele vinha ao povoado celebrar missas, fazer batizados e casamentos. A construção da Igreja foi feita com a celebração do padre Belarmino e a ajuda de alguns moradores da fazenda Posse, dentre eles: Francisco Manoel Novais, José Pinto, Clemente Pinto, Joaquim Pinto e Antônio Ribeiro.
Supõe-se que a Igreja tenha sido construída por volta de 1880, é certo no entanto, que foi reconstruída duas vezes. A primeira imagem colocada na igreja foi uma imagem de Santa Rosa, comprada em Salvador a pedido do senhor Reinaldo José das Virgens, morador da fazenda Posse. A singela imagem foi colocada na igreja no dia 22 de janeiro de 1883. Preserva-se até hoje, dois recibos assinados por ocasião da compra da imagem, um assinado pelo Senhor Antonio Joaquim Pinto e o outro pelo padre Belarmino Silvestre Torres.
A Excomunhão do Povoado
Em 1933 seis missionários capuchinhos (missionários da ordem de São Francisco) vieram pregar as missões no povoado de Santa Rosa do Panasco (atual cidade de Guajeru).
Havia no povoado um professor chamado Manoel Pedro dos Santos, conhecido por baiano que professava o ateísmo. Ao saber da vinda dos missionários ele preparou um protesto para recebê-los. Quando os missionários se aproximaram do povoado ele e seus alunos saíram com bandeiras vermelhas, sinal de rejeição e foram encontrar-se com eles. Os missionários não gostaram do protesto e começaram a criticar aquela altitude; contrariados entraram no povoado, fizeram batizados, celebraram casamentos e administraram o sacramento da crisma a muitos jovens.
Nessa época, José Porto morador do povoado, hospedou em sua casa alguns palhaços que vieram montar um circo no povoado. Os missionários pediram a José Porto para parar com as apresentações do circo, pois estavam atrapalhando as pregações. Como o senhor José Porto não atendeu ao pedido dos missionários houve uma grande discursão entre ambos.
Certo dia os missionários foram fazer uma grande pregação na igreja, era a celebração da missa de encerramento das missões. No momento da pregação o senhor Jesuíno Cascavel e a senhora Perolina estavam se beijando encostados no cruzeiro que havia na frente na igreja, como os missionários já estavam nervosos, começaram a reclamar, mas eles não obedeceram.
Conta-se que o bispo ao perceber do fato disse que era uma pouca vergonha, e que para ver o demônio não era preciso ir ao inferno, pois o mesmo era capaz de vir até a porta da igreja atentar. Disse também que o povo que aqui morava nessa época não sabia se dar ao respeito, por isso, receberiam o castigo merecido: "Este lugar há de crescer como o rabo de cavalo".
Não convém no entanto encarar esse fato como uma excomunhão, o certo era encarar como uma advertência dois bispos. Pois a excomunhão oficial da igreja não é lançada em casos simples como este, para excomungar a pessoa ou o lugar, é preciso que o mesmo tenha cometido um erro muito grande contra a igreja. Além do mais uma excomunhão é levada a público através de uma bula, e não há nada desse tipo que comprove a veracidade do fato.
Outras Histórias
Em 1926 a população do povoado ficou amedrontada com a invasão de revoltosos que vinham de todas as partes do sertão para saquearem casas e comércio. Há notícias de muitas lutas travadas entre população e revoltosos, muitas pessoas fugiram com medo de serem mortas.
Municípios limítrofes
* Norte: Rio do Antônio Malhada de Pedras
* Sul: Condeúba, Jacaraci
* Leste: Presidente Jânio Quadros
* Oeste: Caculé
* 1 Com o Município de Presidente Jânio Quadros: começa no marco existente no lugar Monte Alto, daí em reta até o centro da Lagoa de Jurema;
* 2 Com o Município de Condeúba: começa no centro da Lagoa de Jurema e daí em reta até o marco da passagem no Riachão, seguindo ainda em reta até o marco existente no Morro São Domingos;
* 3 Com o Município de Jacaraci: começa no marco existente no Morro São Domingos, daí em reta até o centro da Lagoa do Estevão e daí, por outra reta, até o centro da lagoa do Morro;
* 4 Com o Município de Caculé: começa no Centro da Lagoa do Morro, daí em reta até o centro da Lagoa das Tapagens, seguindo, a partir daí por outra reta até o lugar Lagedos dos Furados, continuando em reta até o centro da Lagoa da Várzea;
* 5 Com o Município de Rio do Antônio: começa no centro da Lagoa da Várzea, seguindo em reta, até o centro da Lagoa da Pedra e, daí, até o marco existente no lugar Monte Alto.
Fonte Lei Estadual Nº 4.402 de 25 de Fevereiro de 1985 do Governo do estado da Bahia
Clima
O município de Guajeru está situado no Alto Sertão baiano e tem como clima predominante o semi-árido. Em geral, as chuvas são escassas na região, os índices pluviométricos oscilam entre 400mm a 600mm. As secas prolongadas são comuns no município, o que dificulta a agricultura. A distribuição das chuvas no território guajeruense não é uniforme, ou seja, chove mais em um lugar que em outro e há lugares em que quase não chove. Em geral, em toda a área do município o sol brilha o ano inteiro e o calor é intenso durante o dia, refrescando à noite. As temperaturas costumavam ultrapassar 30ºC, principalmente no verão. O período chuvoso estende-se dos meses de Outubro a Abril, apesar de que nas últimas décadas vem se observando uma irregularidade nas chuvas que caem sobre a região, certamente causa das alterações climáticas. A época mais fria abrange os meses de Junho, Julho e Agosto. Por está localizado na região do Polígono das secas, historicamente o município de Guajeru sempre sofreu bastante com a escassez de água nos períodos de seca prolongada, situação que permanece até os dias atuais em algumas regiões.